terça-feira, janeiro 05, 2010

Paixão







No dia 3o de Dezembro, ao colocar uma entrada sobre mudanças de jogadores, falei no Miguel Garcia. Não o conheço bem, só tendo tido com ele breves contactos, mas o Miguel protagonizou um facto que me fez vibrar como adepto do futebol, no célebre jogo do Sporting CP, em Alkmaar. E esse facto trouxe-me à memória tantos outros momentos que vivi com enorme paixão. Recordo ainda bem miúdo, as vitórias do Benfica na Taça dos Campeões, o Mundial de 66, mais tarde o Europeu de 84, as diversas vitórias internacionais do FC Porto, com destaque para o jogo de Sevilha que observei no local, e já por dentro, os Mundiais de Sub/20, em 89 e 91. Uns anos mais tarde, as nossas qualificações para o Euro 96 - Portugal/Rep. Irlanda - , para o Euro 2000 - Portugal/Hungria -, para o Mundial 2002 - Portugal/Estónia -, para o Mundial 2006 - Portugal/Liechtenstein -, para o Euro 2008 - Portugal/Finlândia -, e para o Mundial 2010 - Bósnia/Portugal. Sem falar das fases finais, como os jogos Portugal/Inglaterra, em 2000, 2004 e 2006, a final do Euro 2004, etc., etc.. Tantos momentos fantásticos que só podem ser recordados desta forma, porque foram vividos com paixão, minha, e de muitos outros portugueses. Por muito que a utilização do futebol por gente que só pretende holofotes, poder e protagonismo, permita evidentes e notórios oportunismos, incluindo a falta de memória, quem não conseguir viver este fenómeno com paixão, pouco futuro terá. Ainda que dê tremendas cambalhotas e faça piruetas do tamanho da Avenida da Liberdade.

2 comentários:

  1. José Carlos Freitas6 de janeiro de 2010 às 20:20

    Tens toda a razão, Carlos. Mais do que dinheiro, fama ou coisas do género, é a paixão pelo futebol que nos move, a nós e aqueles que só o sabem viver dessa forma. Percebo o que dizes pois já passei por situações idênticas. Santei na bancada de imprensa do Pratter, em Viena, quando o Madjer marcou o golo de calcanhar que abriu o caminho da vitória do FC Porto; chorei no Estádio da Luz depois de escrever o comentário sobre a Grécia, minutos depois de termos perdido da final do Euro'2004; ri-me sem controlo quando o Paulo Futre ficou surpreendido ao ouvir uma cassete com os primeiros balbúcios do minho filho Joâo em Saltillo, em 1986 - onde eu e o nosso amigo Gonçalves fizemos o nosso primeiro Mundial; fiquei furioso de raiva (como sabes, coisa rara em mim) quando vi o ar sobranceiro de muitos dirigentes da UEFA no dia em que Portugal apresentou a candidatura à organização do Euro'2004 - que acabou por ser, afinal, o melhor de sempre, em todos os sentidos. Muitas vezes, nas conversas com companheiros jornalistas, discuto sobre isso da paixão. Nada me impede de fazer o meu trabalho de forma profissional e, ao mesmo tempo, acrescentar-lhe, quando se justifica, um pouco dessa paixão. E na linha do que referes, temos de ser nós, os que não escondem a paixão, a mininizar os estragos dos tais que se aproveitam do futebol (e de qualquer outra vertente da vida) para apenas se promoverem e venderam a sua banha da cobra. Já disse, também, que uma das mais gratificantes experiências da minha vida foi a passagem pela FPF como assessor de imprensa. Ter, por exemplo, vivido os jogos do Mundial de 2002 no banco de suplentes foi algo que dinheiro nenhum do Mundo podia pagar.
    PS - Continuação de boas férias, pois quando chegares temos de falar sobre a África do Sul.

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  2. Meu amigo, a paixão é a base do futebol. Sem paixão não há futebol. Aqueles que amam o jogo, vibram nesses momentos. Eu vibrei com o golo do Miguel Garcia em Alkmaar. Eu vibrei com o golo do Juanico na Final da Taça. Eu vibrei com o golo do Figo à Inglaterra em 2000. Eu vibrei com o golo do Carlos Alberto em Sevilla. Ninguém que ama o futebol consegue ver um jogo sem escolher "um lado", por muito que não tenha qualquer referência.

    O Miguel Garcia merece isto que lhe está a acontecer. É um bom rapaz, profissional, competente, que no momento chave da carreira tem uma lesão gravíssima que o pára durante 2 anos. Também vibro com isso.

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