domingo, junho 20, 2010

Saramago


No nosso País existe alguma gente pequena e mesquinha. Incapazes de passarem a fronteira da sua própria rua, criticam quem mal conhecem e quem passou essa linha, não só da rua, mas também da cidade e do país, tornando-se cidadãos do mundo. Ainda há bem pouco tempo coloquei aqui uma entrada sobre "Caim", um dos livros, não sei se o último, de José Saramago. Obra polémica que adorei. Outros detestarão. É o sinal da vida e da liberdade. O que não se pode contestar é a universalidade da sua obra. Por isso, bem longe de Lisboa, só essa ausência me impede de o homenagear presencialmente. Fica aqui este meu registo e de mais alguns que pensam como eu.

2 comentários:

  1. José Carlos Freitas20 de junho de 2010 às 10:38

    Caro Carlos,
    Li alguns livros de Saramago e no final de cada um deles fiquei sempre com aquela sensação (sendo jornalista) do género "quem me dera escrever assim". Não é uma escrita fácil, seguramente, mas fantástica, imensa, profunda, cheia de coisas simples e elaboradas, mas também verdadeiras delícias. Para quem não leu, recomendo na História do Cerco de Lisboa, a descrição do amanhecer da Lisboa árabe, cercada pela armada inglesa fundeada no Tejo. Ou então o momento em que o pastor nos Pirinéus enterrou o seu cajado no chão e a península de separou da Europa, nascendo a Jangada de Pedra. Ou o Memorial, ou a sua versão da história de Jesus Cristo e Madalena, retomando, na mesma linha, um livro de um historiador francês dos anos 1980 que se chama O Homem que Não Queria Ser Deus... Génio? Sim. Polémico? Todos os génios são polémicos. Deixei lá em casa o Caim para ler. Fica para as férias.
    Abraço

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  2. José Saramago não era menos português por não pôr a bandeira à janela na véspera de um evento desportivo. Acima de tudo, a sua essência era ibérica. Convém dizer que só saiu de Portugal devido à ostracização de Sousa Lara, comprovada agora com o episódio político revisionista da não presença de Cavaco Silva no seu funeral. "Viagem a Portugal" é reflexo de amor e do encantamento que sentia pelo país, pela sua beleza e cultura, pela classe trabalhadora, espelhada na sua identidade, mesmo que isso significasse ir contra a ideologia do seu partido, contra a maioria religiosa, contra o politicamente correcto. Para o seu espírito inconformado, a morte é pouco relevante. Como diria Saramago, "o fim duma viagem é apenas o começo de outra".

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