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terça-feira, janeiro 04, 2011

Saltillo



Não estive em Saltillo e sei tanto do caso como a grande maioria dos portugueses, ou seja, pouco e mal, razão pela qual nunca me pronunciarei sobre o assunto.  Ontem, "A Bola", numa entrevista a Álvaro Magalhães, este, a propósito de Saltillo, disse: "Não representámos o País com dignidade. São momentos tristes, mas já lá vão tantos anos que nem vale a pena recordar isso. Foi desprestigiante para o futebol português".
Pela primeira vez vi que um ex-jogador, corajosamente, assume a sua quota-parte de responsabilidade de um problema que foi colectivo e essa posição só o dignifica.


terça-feira, setembro 07, 2010

Histórias da Bola - 8 -

Faleceu José Torres com quem pouco privei. Na altura da sua passagem pela Selecção Nacional, entre 84/86, tinha começado a minha vida na FPF pelas camadas jovens e por isso os contactos eram esporádicos e distantes, até porque as estruturas eram separadas. No entanto, já perto da partida para o México, calhou que uma das selecções juniores a que estava ligado, treinou num campos do Estádio Nacional, em simultâneo com a selecção principal, utilizando no entanto o mesmo complexo de balneários junto ao campo nº1. Dirigia-me para os balneários levando comigo uma pequena câmara de vídeo para gravar os treinos, quando no caminho encontro José Torres, que nesse período já me conhecia minimamente, e me disse: "Oh! Godinho, desculpa lá, mas os juniores têm esse material e eu nos seniores não tenho nada disso?". José Torres não me criticava obviamente a mim, nem a ninguém em especial, mas estava a chamar unicamente a atenção e a constatar o facto de nesse momento, nos juniores, estarmos já num patamar superior de organização, numa área que começava a dar os primeiros passos e que em Portugal era ainda completamente ignorada, inclusivamente por ele próprio. Depois disso pouco mais o vi, dado que se seguiu o problema de Saltillo, e só o fui encontrando, esporádicamente, em momentos exteriores ao próprio futebol. Pareceu-me sempre uma pessoa correcta, simples e humilde.

terça-feira, junho 29, 2010

Fazer história

Chegar aos oitavos de final de um mundial, será sempre um resultado importante para qualquer equipa. A história da Selecção Nacional, infelizmente, mais acentua esse facto. Das presenças anteriores em mundiais, por duas vezes fomos mais longe, por duas vezes ficámos na primeira fase. Em 1966 foi um momento diferente dado que só estavam presentes somente 16 equipas, mas mesmo assim continua a ser esse o nosso melhor resultado. Em 2010 temos nova oportunidade para fazermos história e desempatar favoravelmente os nossos percursos anteriores. É necessário por isso, daqui a pouco, vencer a Espanha. Vai ser difícil para ambas as selecções, dada a qualidade equilibrada dos valores individuais. No entanto estou certo que a nossa ambição, o querer e a determinação vão ser os factores que nos permitirão seguir em frente na competição. Tenhamos também um pouco de sorte que é sempre um motivo não quantificável que pesa bastante. Vamos a isso rapazes!

sexta-feira, março 26, 2010

Mundial 1998


Já vi e ouvi muita coisa sobre o Mundial 98, particularmente sobre a final França/Brasil. Para os brasileiros parece no entanto que este não é assunto ainda encerrado, tal como para os portugueses os Mundiais de 1986 e 2002 são ainda ponto de discussão. É evidente quando as expectativas são altas e acontecem derrotas procuram-se explicações para tudo e, por vezes, é bem simples, perde-se porque os adversários foram melhores. Para os brasileiros, porém, este assunto de 1998 continua mesmo a não ser pacífico.


"Vai começar mais uma Copa do Mundo, a terceira depois de 1998. O que mais precisa acontecer para o brasileiro tratar àquela derrota como resultado normal de um jogo de futebol ?"

por André Plihal, blogueiro do ESPN.com.br