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domingo, fevereiro 28, 2010

La Palisse

Por vezes, na ânsia de tanto se falar, e querer justificar o injustificával, comete-se o pecado original, a mãe de todas as verdades, a verdade de La Palisse.

A foto

Na procura de perceber o que se passa no mundo do desporto e das nossas vidas, fiz, como quase todos os dias, uma busca diária pela internet. Fala-se do Chile, de vitórias, derrotas, corrupção, política de rés-do-chão, ou seja, de porcaria, audições tristes e tristes figuras, de tudo um pouco. Porém o assunto do dia é sem dúvida, comum a quase todas as notícias, do Brasil a Itália, de Espanha a Inglaterra, o encontro de Waine Bridge com John Terry. A Gazzetta dello Sport, escolheu mesmo esse caso para a foto do dia! Os deuses devem estar mesmo loucos!



Foto: Gazzetta dello Sport

quarta-feira, novembro 18, 2009

Escutas

Telefonema de Armando Vara a José Sócrates

…Augusto Discreto descobriu uma testemunha dum telefonema de Armando Vara para Sócrates. É dele o relato.

- Falei com o Sr.Flávio, um comerciante de tripas de plástico para enchidos tradicionais, em Chaves.

O Sr. Flávio tem a certeza que era Armando Vara? Então não era? Carai, que a CEE proíba as tripas de plástico se não estive sentado ao lado do bancário! Banqueiro quer o Sr.Flávio dizer. Exactamente, bancário! Onde foi isso? No Municipal, durante o jogo entre o Desportivo de Chaves e o Freamunde. E foi de lá que Vara fez a chamada para Sócrates? Foi pois. E lembra-se do que ele disse, era uma conversa de negócios? Já lhe conto, o bancário…o banqueiro, interrompi. Sim, pois, o bancário estava muito excitado, logo que atenderam disse: ó Zé nem sonhas o que eu estou a ver, já vi equipas a jogar futebol só na sua área ou todos na área adversária, mas com a táctica do Desportivo é a primeira vez, esta ideia é revolucionária pá. Calou-se para ouvir o outro lado, e depois continuou. Deixa-me explicar, ocupam o campo da defesa ao ataque, mas só dum lado, tás a ver? Sim eu sei que o Desportivo vai em último mas isso é por serem uns tesos, com o dinheiro do nosso Benfica, metíamos mais dez jogadores do outro lado e pronto, com esta estratégia candidatava-me á direcção do glorioso. Depois esteve um pouco à escuta, despediu-se com um porreiro pá e desligou. O Sr.Flávio desculpe, a conversa enquadra-se no perfil de Armando Vara, um expert do futebol, mas como sabe que estava a falar com Sócrates? Ora, assisti à ligação, não marcou nenhum número, só disse; está, é da escuta, liguem-me ao meu amigo José Sócrates, sim esse. E porque acha o Sr. Flávio que ele procedeu assim? Sei lá, se calhar é a forma mais directa de ligar a primeiros-ministros.

Carlos Mesquita ( in semanário transmontano)

terça-feira, novembro 03, 2009

Caça Desportiva


Uma história de Carlos Mesquita escrita para Todos Somos Portugal.


A bem do ecletismo desportivo uma história curta duma modalidade pouco referida, a caça desportiva.

Lê-se no Público que o lince-ibérico que veio de Jerez de la Fronteira para Silves “matou um coelho, o que revela instinto de caça”. Não o comeu, caça por desporto! Na notícia diziam também que em Jerez, o lince que é gaja e chama-se Azahar, “não comia coelho vivo mas sim pombo vivo e frango morto”. Como nem comeu o coelho morto e nunca vi comer um pombo vivo fui a Silves em busca da verdade.

Já no cativeiro onde o bicho vive em “liberdade”, perguntei a um homem antigo que semeava favas. Ó amigo; viu o lince a matar o coelho vivo, como li num jornal? Ora, puseram-lhe o coelho à frente, – disse enquanto se erguia das cócoras – parecia o Américo Tomás a caçar. Tenho que abrir um parêntesis para informar os leitores mais novos que este Tomás foi Presidente da República 16 anos e interromperam-lhe o mandato no 25 de Abril, caçava numa cadeirinha e punham-lhe os coelhos tão perto, que quando por sorte acertava tinham de se apanhar os destroços com uma colher. Continuemos. Então qual é o nome do meu amigo? Manel. Pois bem Sr. Manuel. Na, interrompeu, é Manel, e não ponha doutor atrás para ser diferente destes todos. Muito bem, e o que faz o Sr. Manel cá no Centro. Sou eu que falo com o Azar e o Azar só fala comigo. O quê? Duvidei, o lince fala? Só comigo, garantiu. Com cautela disse-lhe, o Sr. Manel desculpe mas o nome do lince é Azahar, nome árabe da flor da laranjeira. Levantou a mão e exclamou, não me fale de laranjeiras. Que aconteceu? Murmurei. Secaram-me todas por falta de água, foi o que aconteceu, ralhou desalentado. Mas agora estão a fazer a barragem de Odelouca, animei-o, foi por isso que veio o Azahar, para calar os ambientalistas, não é verdade? Dessem-lhes o brinquedo antes de me secarem as laranjeiras… cala-te boca. Ninguém ouviu, sosseguei, o Sr.Manel era capaz de me fazer umas perguntas ao lince? Consentiu. Pergunte aí se ele caça por desporto. Blá blá para lá blá blá para cá, veio a tradução: - diz que desportos para ele são as corridas do Autódromo de Jerez de la Fronteira e o bota abaixo de Xerez nas bodegas de Cádiz. E qual é o problema com a comida? Mais blá blá e…diz que tem saudades do pescaíto frito e dos flamenquins panados. E recheados não é? Respondeu que todos os flamenquins são recheados, seu ignorante, seu ignorante foi ele que disse. Olhe, foi-se embora, avisei. Está farto disto, disse o Sr. Manel, é só curiosos. E aqui entre as pessoas; é uma alegria suponho. Quando matou o coelho parecia um circo, e agora os circos vão deixar de ter animais pois há quem diga que são maltratados, isto é um sucesso. Ó Sr. Manel ver estraçalhar coelhos ou pombos (vivos como dizia o jornal) não é bonito. Ora, aqui todos bateram palmas. Todos? Bem…todos menos o coelho.