Numa tarde de Maio de 1991, 18 jovens, cada um com uma placa na mão, com uma letra impressa, apresentaram-se no relvado do Estádio Nacional, no intervalo da Final da Taça de Portugal. Juntas as 18 letras, formou-se esta frase. Luís Figo, Rui Costa, João V.Pinto, Jorge Costa, Rui Bento, Brassard, Peixe, entre outros, eram os jogadores que formavam esse grupo. Semanas depois, em Lisboa, mas no Estádio da Luz, perante 127.000 espectadores, tornaram-se Campeões do Mundo Sub/20.
domingo, fevereiro 28, 2010
La Palisse
A foto
Foto: Gazzetta dello Sport
quarta-feira, novembro 18, 2009
Escutas
Telefonema de Armando Vara a José Sócrates
…Augusto Discreto descobriu uma testemunha dum telefonema de Armando Vara para Sócrates. É dele o relato.
- Falei com o Sr.Flávio, um comerciante de tripas de plástico para enchidos tradicionais, em Chaves.
O Sr. Flávio tem a certeza que era Armando Vara? Então não era? Carai, que a CEE proíba as tripas de plástico se não estive sentado ao lado do bancário! Banqueiro quer o Sr.Flávio dizer. Exactamente, bancário! Onde foi isso? No Municipal, durante o jogo entre o Desportivo de Chaves e o Freamunde. E foi de lá que Vara fez a chamada para Sócrates? Foi pois. E lembra-se do que ele disse, era uma conversa de negócios? Já lhe conto, o bancário…o banqueiro, interrompi. Sim, pois, o bancário estava muito excitado, logo que atenderam disse: ó Zé nem sonhas o que eu estou a ver, já vi equipas a jogar futebol só na sua área ou todos na área adversária, mas com a táctica do Desportivo é a primeira vez, esta ideia é revolucionária pá. Calou-se para ouvir o outro lado, e depois continuou. Deixa-me explicar, ocupam o campo da defesa ao ataque, mas só dum lado, tás a ver? Sim eu sei que o Desportivo vai em último mas isso é por serem uns tesos, com o dinheiro do nosso Benfica, metíamos mais dez jogadores do outro lado e pronto, com esta estratégia candidatava-me á direcção do glorioso. Depois esteve um pouco à escuta, despediu-se com um porreiro pá e desligou. O Sr.Flávio desculpe, a conversa enquadra-se no perfil de Armando Vara, um expert do futebol, mas como sabe que estava a falar com Sócrates? Ora, assisti à ligação, não marcou nenhum número, só disse; está, é da escuta, liguem-me ao meu amigo José Sócrates, sim esse. E porque acha o Sr. Flávio que ele procedeu assim? Sei lá, se calhar é a forma mais directa de ligar a primeiros-ministros.
terça-feira, novembro 03, 2009
Caça Desportiva

Uma história de Carlos Mesquita escrita para Todos Somos Portugal.
A bem do ecletismo desportivo uma história curta duma modalidade pouco referida, a caça desportiva.
Lê-se no Público que o lince-ibérico que veio de Jerez de la Fronteira para Silves “matou um coelho, o que revela instinto de caça”. Não o comeu, caça por desporto! Na notícia diziam também que em Jerez, o lince que é gaja e chama-se Azahar, “não comia coelho vivo mas sim pombo vivo e frango morto”. Como nem comeu o coelho morto e nunca vi comer um pombo vivo fui a Silves em busca da verdade.
Já no cativeiro onde o bicho vive em “liberdade”, perguntei a um homem antigo que semeava favas. Ó amigo; viu o lince a matar o coelho vivo, como li num jornal? Ora, puseram-lhe o coelho à frente, – disse enquanto se erguia das cócoras – parecia o Américo Tomás a caçar. Tenho que abrir um parêntesis para informar os leitores mais novos que este Tomás foi Presidente da República 16 anos e interromperam-lhe o mandato no 25 de Abril, caçava numa cadeirinha e punham-lhe os coelhos tão perto, que quando por sorte acertava tinham de se apanhar os destroços com uma colher. Continuemos. Então qual é o nome do meu amigo? Manel. Pois bem Sr. Manuel. Na, interrompeu, é Manel, e não ponha doutor atrás para ser diferente destes todos. Muito bem, e o que faz o Sr. Manel cá no Centro. Sou eu que falo com o Azar e o Azar só fala comigo. O quê? Duvidei, o lince fala? Só comigo, garantiu. Com cautela disse-lhe, o Sr. Manel desculpe mas o nome do lince é Azahar, nome árabe da flor da laranjeira. Levantou a mão e exclamou, não me fale de laranjeiras. Que aconteceu? Murmurei. Secaram-me todas por falta de água, foi o que aconteceu, ralhou desalentado. Mas agora estão a fazer a barragem de Odelouca, animei-o, foi por isso que veio o Azahar, para calar os ambientalistas, não é verdade? Dessem-lhes o brinquedo antes de me secarem as laranjeiras… cala-te boca. Ninguém ouviu, sosseguei, o Sr.Manel era capaz de me fazer umas perguntas ao lince? Consentiu. Pergunte aí se ele caça por desporto. Blá blá para lá blá blá para cá, veio a tradução: - diz que desportos para ele são as corridas do Autódromo de Jerez de la Fronteira e o bota abaixo de Xerez nas bodegas de Cádiz. E qual é o problema com a comida? Mais blá blá e…diz que tem saudades do pescaíto frito e dos flamenquins panados. E recheados não é? Respondeu que todos os flamenquins são recheados, seu ignorante, seu ignorante foi ele que disse. Olhe, foi-se embora, avisei. Está farto disto, disse o Sr. Manel, é só curiosos. E aqui entre as pessoas; é uma alegria suponho. Quando matou o coelho parecia um circo, e agora os circos vão deixar de ter animais pois há quem diga que são maltratados, isto é um sucesso. Ó Sr. Manel ver estraçalhar coelhos ou pombos (vivos como dizia o jornal) não é bonito. Ora, aqui todos bateram palmas. Todos? Bem…todos menos o coelho.