domingo, novembro 07, 2010

Liga de Espanha

Com o título "Liga Espanhola está condenada à destruição", Santiago Segurola, Director de "A Marca" publicou esta semana o seguinte texto que é arrasador para o modelo organizativo e financeiro da liga do país vizinho.
A Liga espanhola está condenada a repetir-se. Cada temporada será a mesma que a anterior, com uma única diferença; o vencedor. Será o Barça - como nas últimas edições - ou o Real Madrid. É impossível pensarmos numa alternativa.

Os optimistas consideravam que este ano oferecia boas possibilidades ao Valência, Villarreal, Sevilha e Atlético de Madrid. Se não conseguissem ser campeões, pelo menos podiam ameaçar os dois colossos do futebol espanhol. A última jornada funcionou como um banho de realidade: os gigantes voltam a estar sós. Villarreal, Atlético de Madrid, e Valência empataram e o Sevilha até perdeu, humilhado em Camp Nou. Encaixou cinco golos.

O campeonato está submetido a um processo de destruição. O Real Madrid e o Barcelona recebem mais dinheiro de direitos televisivos que qualquer outro clube no mundo. Cada um cobra 120 milhões de euros pelo seu contrato com a empresa Mediapro. O terceiro clube no ranking é o Valência, com 44 milhões de euros. Segue-se o At. Madrid, com 42 milhões. Equipas como o Sevilha ou o Atlético de Bilbau - dois clubes de tradição em Espanha - recebem sensivelmente 20 milhões. E assim será até 2015. Cada temporada que passa agudiza mais as diferenças, que já são abissais. A competição está destruída, a maioria dos clubes encontra-se na bancarrota e os adeptos cada vez encontram menos motivos para sonharem com as suas equipas. O seu destino está traçado: a mediocridade.

A diferença também é escandalosa no que diz respeito às grandes potências do futebol europeu. A Juventus, o Inter de Milão e o AC Milan recebem, aproximadamente, 88 milhões de euros pelo contrato televisivo em Itália, que factura quase 50% mais que o mercado televisivo espanhol. Na Premier League, o sistema de distribuição concede 66 milhões de euros ao Manchester United. Na época passada, o clube que menos dinheiro recebeu foi o Middlesbrough; 40 milhões de euros, quase o mesmo valor que o Valência e o Atlético de Madrid tiveram direito.

Se, por outro lado, a Premier League e a Bundesliga se preocupam em manter uma fórmula equitativa que protege todos os clubes, a Liga espanhola distingue-se pelos enormes privilégios de dois clubes e a brutal diferença que os separa dos restantes. Resultado? Uma competição ferida de morte. Com o actual sistema, que seguramente se repetirá a partir de 2015 - último ano do actual contrato -, o futebol espanhol está condenado à destruição. A Liga espanhola não é uma competição real. É um lamentável simulacro.

Na época passada, o Barcelona obteve 99 dos 114 pontos que disputou. O Real Madrid conseguiu 96 e fez 102 golos. Perdeu a Liga porque foi derrotado nos dois jogos com o Barcelona. No fim de contas, a Liga resume-se ao duelo - primeiro em Camp Nou e depois no Bernabéu - entre as duas equipas. O restante tem, apenas, um valor ornamental. É comovente o esforço de equipas como o Hércules, recém-promovido à primeira divisão. Frente ao Real Madrid adiantou-se com um golo madrugador de Trezeguet. O sacrifício para manter a vantagem foi algo de dramático. O Real Madrid reagiu e marcou três golos na segunda parte. Ninguém pensou, por um momento que fosse, numa possível surpresa. É uma Liga sem nuances, empobrecida por um capitalismo selvagem que não atende os interesses do futebol em geral, apenas aos interesses muito particulares de dois clubes que não têm a mínima solidariedade.

Realmente com valores destes será um milagre que os clubes portugueses e de ligas com a dimensão da nossa possam competir internacionalmente com Barcelona e Real Madrid. Juntando a estes dois, o Manchester United, mais dois ou três clubes em Inglaterra, Inter e Milan em Itália e talvez Bayern na Alemanha, o fosso é deveras profundo.

sábado, novembro 06, 2010

Selecção Feminina


Descobri esta foto da Selecção Feminina, tirada durante a sua primeira fase, nos anos oitenta. Reconheço unicamente uma atleta, Alfredina, e um dirigente, Adriano Pinto, Presidente da AF Porto, já falecido. Alguém quer dar uma ajuda para identificar os restantes elementos, particularmente as atletas? Ajudaria a fazer um pouco de história desta Selecção Nacional.
Nota em 7.11: Recebi um sms identificando o dirigente de boné, ao lado de Adriano Pinto, chamava-se Helder Rocha, era director da FPF, e também já faleceu.

Guarda-redes

É uma opinião, válida, construtiva de alguém que viveu/vive esta realidade como ninguém: "Ricardo olha para a escassez de guarda-redes portugueses na Liga como uma consequência da aposta «no barato e acessível, ao invés da formação». Perante o desolador cenário actual, o internacional português defende um trabalho de fundo, que se centre não só nas questões técnicas, mas sobretudo na preparação mental.


Na opinião do antigo guarda-redes de Boavista e Sporting, a diferença está na autoconfiança. «Ao longo da carreira vi muitos jovens com qualidade, mas sem preparação mental», reitera, antes de dar um exemplo da importância de uma mentalidade forte: «O Kahn era um guarda-redes fantástico, mas valia pela sua autoconfiança. Era um guerreiro. Tecnicamente era fraco, estava até longe do nosso nível. Os portugueses precisam de acreditar mais em si próprios. Portugal tem uma história de excelentes guarda-redes, que estiveram entre os melhores do Mundo»"


Ricardo aborda uma questão séria. Ciclicamente acontecem situações destas, quer com os guarda-redes quer com outras posições nas equipas, pontas-de-lança, defesas-esquerdos, etc.. Terão de se e,ncontrar soluções para estes problemas que afectam não só os nossos clubes mas também e notoriamente as selecções nacionais.

Tiago

Não há dúvida que foi um extraordinário golo. Não teve o mediatismo que normalmente teria se tivesse sido feito por um dos grandes jogadores do momento, Messi, Cristiano Ronaldo ou Eto'o. Ainda por cima Tiago joga no Atlético Madrid, um clube com pouca projecção no mundo dos poderosos, mesmo tendo vencido a Liga Europa. Mas o que Tiago fez, é digno dos grandes jogadores que ficam para a história. Mas enfim, é um médio, marca pouco, não tem grande projecção internacional, é português, por isso poucos falarão dele. Mas que foi fantástico lá isso foi.


sexta-feira, novembro 05, 2010

Os monstros



Ciclicamente, sem que ninguém espere, surge a violência no futebol. Nas Honduras, El Salvador, ou em Itália, como em tantos outros locais, os monstros estão sempre prontos atacar. Como se vê nesta foto do último Itália/Sérvia, de Outubro último, em Génova.

Mau e bom carácter


Protagonizaram num campo desportivo a mais mediática das agressões de que há memória. Refiro-me a Materazzi e Zidane. Palavras de um, cabeçada de outro, situação não normal mas que acontece de quando em vez. Só que estavam a disputar a final do mundial 2006, e esse incidente foi mediatizado de uma forma milimétrica, com os nomes utilizados e a pressão da cabeça de Zidane sobre o peito de Materazzi. Não devia nunca ter acontecido e muito menos numa final e sobretudo com Zidane, um jogador, um artista como poucos, que não deveria ter terminado a sua carreira daquela forma e naquele momento tão importante da sua vida profissional como atleta. Foi pena mas é assim, não se pode rebobinar as nossas vidas. Pareceria que jamais se reencontrariam e se falariam, no entanto, num encontro casual, não organizado, acabou por surgir a reconciliação. O que prova que o futebol tendo muitas coisas negativas, tem também a capacidade de se regenerar e fazer com que os seus intérpretes, por mais famosos que sejam, são capazes de ultrapassar problemas bem complicados. Algo que noutras áreas da vida seria difícil de acontecer.







quinta-feira, novembro 04, 2010

Maradona e os seis

Foto: Steve Powell


Nunca estava só. Havia sempre uma côrte de adversários a rodeá-lo. Em 1982, no seu primeiro mundial, em Espanha, contra a Bélgica.

Nelo Vingada


Nelo Vingada, treinador do FC Seoul, venceu o penúltimo jogo da série regular do campeonato sul-coreano, ascendendo assim ao primeiro lugar da tabela. Neste momento, para ratificar este lugar, e encarar os play-off numa situação de grande tranquilidade, basta tão-só fazer na próxima jornada o mesmo resultado que o seu adversário directo o Jeju United. Curiosamente o Jeju é dirigido por um jovem treinador, de seu nome Michael Kim, que conheço há cerca de oito anos e que foi um antigo assistente da FIFA no mundial de 2002. Michael Kim, nessa prova, era um dos responsáveis pelos centros de treino, e com ele viajei por bastantes locais da Coreia. Penso que se terá licenciado no Canadá e voltado à ao seu país para dirigir a Selecção Sub/17, sendo agora treinador desse clube numa ilha com o mesmo nome - Jeju - do sul da Coreia. Espero que Nelo Vingada vença esse campeonato e que prossiga um currículo bem preenchido com outras vitórias importantes na Arábia Saudita - Taça da Ásia o equivalente ao Euro - e no Egipto com o Zamalek. Em Portugal, como outros, não tem lugar.

Os portugueses


No jogo de anteontem do SL Benfica, além dos factos que todos conhecemos que quase originaram uma reviravolta do marcador, a maior saliência vai, na minha opinião, para dois jogadores, Carlos Martins e Fábio Coentrão. Curiosamente dois dos três únicos portugueses que estiveram em campo. E esta questão leva-nos mais uma vez à discussão sobre o papel que o jogador nascido em Portugal tem nos clubes portugueses. Não tenho dúvidas que a sua entrega é sempre superior à da maioria dos atletas estrangeiros. Nalguns casos, mesmo não sendo melhores jogadores, conseguem ter uma ligação mais efectiva aos emblemas que representam, porque joga a seu favor a cultura e a tradição. Podem dizer que neste caso sou nacionalista, mas não vejo como não tenha razão e continuo sem compreender como não se aposta e investe mais nos nossos jovens. Aos estrangeiros, normalmente, vai-se perdoando a falta de entrega e dedicação, argumentando-se sempre que estão em fase de adaptação. Aos portugueses, se não foram muito fortes psicologicamente, e capazes de resistir a todas as dificuldades que lhes são criadas no seu crescimento, rapidamente se passa um atestado de incapacidade e são despachados para a 2ª divisão. E a essa situação nem todos resistem, acabando por se perder muitos pelo caminho.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Parc Lescure


Foto da Selecção Nacional "BB", antes de um jogo com a França, disputado em 3 de Maio de 1947, em Bordéus, no Parc Lescure. Este estádio é o mesmo onde ainda joga o Bordéus, mas actualmente tem o nome de Stade Jacques Chaban-Delmas, vendo-se como curiosidade, que o recinto estava cheio. Por Portugal jogaram: Barrigana (FC Porto), Jacinto do Carmo (Benfica), Carlos Canário (Sporting), Octávio Barrosa (Sporting), Pacheco (Académico FC), José L.Barbosa (FC Porto), Bravo (Estoril-Praia), Fernando Caiado (Boavista), Manuel Marques (Sporting), Julinho (Benfica) e Albano (Sporting). Ao intervalo Patalino ("O Elvas") substituiu Julinho. A Selecção Nacional perdeu por 4/2 e ambos os golos foram marcados por Patalino. O único jogador que reconheço na foto é Fernando Caiado o sexto a contar da esquerda...ou da direita.

Scolari


Eu sei que muitos não gostam de Luiz Felipe Scolari e têm esse direito. Eu, como sabem, gosto, do técnico e da pessoa. E conheço-o bem por que trabalhei, colaborei, com o técnico brasileiro durante cinco anos. Ficámos amigos, mas não é por isso que faço esta entrada. Luiz Felipe Scolari deu uma entrevista ao http://www.fifa.com/ em que define as suas qualidades como treinador e sobretudo humanas. Recomendo a sua leitura completa para que se possa perceber melhor o seu pensamento e ideias.

E o que faltou para que isso acontecesse no Chelsea, seu trabalho que durou menos tempo?
Faltou a direção do clube entender que, naquele momento, eu precisava de mais suporte. A direção teve receio - e eu entendi na época e entendo até hoje - porque nós não tínhamos ganho nenhum clássico. Mas tínhamos ganho todos os outros jogos, que nos deixavam a dois ou três pontos da liderança. E ali havia situações com alguns jogadores importantes que geravam dúvidas sobre o ambiente. Isso porque eu havia tomado posições que outros técnicos não tomaram. Então, o ambiente não era de domínio total meu, porque eu sofria alguma resistência, principalmente de dois ou três jogadores que tentaram se impor de uma forma que não era correta. Só que a importância dada por mim a esses jogadores não havia sido dada antes. Quis que eles se recuperassem não apenas para o Chelsea, mas para o resto das suas carreiras. E os próprios jogadores não entenderam assim, porque queriam entrar em todos os jogos. Esse foi um dos problemas.

Os clubes europeus, quando contratam técnico sul-americano, têm dúvidas sobre como eles trabalham. Nós temos nosso estilo de treinamento, e claro que algumas adaptações são feitas, mas devem ser das duas partes: dos jogadores e do técnico. São culturas que vão se juntar. Então, eu cheguei com uma forma de trabalhar que não era identificada com o futebol inglês. Na América do Sul, nós trabalhamos muito com fundamentos. Quando temos a semana toda de treinos, por exemplo, fazemos coletivo entre titulares e reservas, e lá isso não é comum. Isso também ajudou a que eu não permanecesse. Mas eu continuei com meu trabalho e sei que alguns jogadores, com isso, evoluíram. Por exemplo, o Anelka, que nem era usado, não se tornou de um dia para outro o goleador do Chelsea. O Ashley Cole não usava o pé direito e depois fez até gol assim. O Kalou, que era um jogador só de velocidade e tinha dificuldade para o drible, aprendeu a driblar estaca. A estaca está fincada no chão? Ok, mas serviu para depois começar a driblar os adversários, coisa que hoje ele faz. O próprio Drogba, que tinha uma lesão grave no joelho, hoje está curado graças ao meu trabalho. Não só do departamento medico, mas o meu, porque não aceitei que ele jogasse com problemas e, por isso, tive até dificuldades de relacionamento. Mas, daqui a 20 ou 30 anos, quando dois ou três estiverem caminhando sem problemas, eles vão se lembrar de mim. E, se não se lembrarem, eu fico feliz mesmo assim, porque sei que essa é minha forma de agir. Eu tenho 62 anos e estou inteiro porque meus técnicos me preservaram. Nunca falei isso antes e não falo agora para justificar nada. Entendi que não ganhava os clássicos, que estávamos dois pontos atrás do líder e que havia alguns problemas de relacionamento. E pronto. Fiquei triste, porque queria permanecer e gostava. Acho o futebol inglês maravilhoso. Mas, tive que sair e saí.

Essa situação poderia ter sido diferente se não houvesse a barreira do idioma para superar?
Seria muito mais fácil para mim, porque usaria não apenas as palavras normais, mas outras que muitas vezes se usam num campo de futebol. São palavras um pouco mais fortes, e às vezes um jogador de futebol entende mais aquilo do que uma conversa de amigo. Seria diferente, sim. Você tem que procurar palavras, interrompe seu pensamento e muitas vezes não sai a coisa certa. Agora, se é em português, eu digo aquilo que tenho que dizer, ainda aumento um pouco mais e pronto.



Momentos



Há momentos diferentes durante um jogo de futebol. No início das partidas, quando se experimenta o adversário, a sua defesa, o seu sector intermediário, quando se testam as nossas próprias capacidades quando se verifica a nossa própria consistência táctica, enfim alguns períodos de adaptação ao jogo, ao adversário e ao...árbitro. Nesses momentos iniciais, rapidamente se entende para onde cai o árbitro, a sua (im)parcialidade, por onde o adversário mais se expõe, onde se encontram as suas fragilidades mais notórias, tudo isso num curto espaço de tempo. Quando a outra equipa se refugia e se amedontra, com as nossas capacidades, com o público, com algum jogador em especial, isso sente-se, e os nossos rapidamente exploram essas fraquezas. Foi assim ontem à noite na Luz. Os jogadores do Benfica bem cedo sentiram que aquela podia ser a noite. E aconteceu, perante um Lyon frágil, com medo, receoso. 1, 2, 3 e 4. Tudo parecendo fácil, bem executado, em velocidade estonteante. Contudo nem tudo o que parece é, e um jogo tem 90+ x minutos, e é necessário estar com atenção aos diversos sinais que vão chegando, a alguns jogadores fundamentais que abrandam, se escondem, esgotados por vezes, pensando provavelmente próximo jogo... que podem dar aos contrários os sinais de que algo pode acontecer, mudar. Os momentos da mudança, podem sempre chegar, a qualquer altura. E chegaram. Sobranceria, de um ou outro jovem, um ou outro erro da defesa, um abrandamento quase colectivo, alguma falta de experiência, uns nervos a mais ou a menos, deram a perceber aos jogadores franceses que o "seu" momento podia chegar. E chegou. E de repente tudo abanou. Como foram os 4, apareceram 3, e uma vantagem preciosa em golos desvaneceu-se. Foi pena, porque poderia ter sido uma noite gloriosa para o futebol português. Salvou-se no final a vitória, o bem mais precioso e fundamental, mas ficou um ligeiro amargo de boca de todos os portugueses que viram o jogo. Ganhar, e por muitos, aos franceses, é algo que dá sempre prazer. Siga a banda e a águia que vem aí mais jogo e agora está tudo em aberto.

terça-feira, novembro 02, 2010

História





Fotos da Selecção Nacional e de revistas alemãs da época, com imagens curiosas do jogo Alemanha/Portugal, disputado em 24 de Abril de 1938, em Frankfurt/Oder. O resultado foi de 1/1 e o golo de Portugal foi marcado por Pinga. Portugal jogou com Azevedo (Sporting), Gustavo Teixeira (Benfica), Carlos Pereira (FC Porto), Mourão (Sporting), João Cruz (Sporting), José Simões (Belenenses), Mariano Amaro (Belenenses), Soeiro (Sporting), Francisco Albino (Benfica), Pinga (FC Porto) e Peyroteo (Sporting). Na foto da equipa aparece um segundo guarda-redes, que não jogou, e que desconheço de quem se trata. O Seleccionador Nacional era Cândido Oliveira. O que lhe deve ter custado ver aquela saudação! Já lá vão 72 anos.

Sir Alex

MSK Zilina (Eslováquia)

Quando se é Sir pode-se dizer tudo, até coisas menos certas. Se é evidente que na primeira fase do mundial se assistem a jogos com menor interesse, não é menos verdade que na Champions acontece o mesmo.
Só praticamente na segunda fase se começam a assistir a jogos estupendos. No mundial, só quando se começam a disputar os 1/16 avos de final, se assiste a um maior número de excelentes jogos e a uma maior emotividade fruto do mata-mata. O que acontece é que um mundial é disputado num curto período de tempo e a Champions vai sendo disputada por toda uma época, havendo sempre alguns bons jogos que vão tapando a mediocridade global da primeira fase. No mundial vê-se praticamente tudo dado que existem só três jogos por dia. Será que os jogos do Rubin, do Bursaspor, do Twente, do Hapoel Telavive, do Basileia, do Cluj, do Zilina, do Auxerre, entre outros, são assim tão excitantes?

Não tenho dúvidas que a descentralização da Champions que permitiu a entrada de pequenos clubes ajudará o desenvolvimento do futebol europeu, mas também não tenho dúvidas que a qualidade da prova baixou. Tal como no mundial quando se passou de 24 para 32 equipas e como acontecerá no Euro quando se passar, em 2016, para 24 equipas.


segunda-feira, novembro 01, 2010

Quem tem razão?

A história do costume. Um jogo, duas equipas, um árbitro, um protesta, outro elogia. Vejamos as declarações de representantes das equipas após o Atlético MG/Botafogo:
"Estive na CBF na quinta-feira e conversei com o Sérgio Correa. Fiz um círculo no nome do Roman e perguntei o que fiz a Deus para merecer este juiz em jogos quase seguidos no meu campo. Ele me chamou de palhaço, e eu disse que é mal-intencionado", afirmou o presidente do clube mineiro.

"Mas na CBF não adianta nada. Eles nos tratam muito bem lá. Só que ele (Roman) é o rei da escala do Botafogo. Apitou uns três ou quatro jogos do Botafogo. Amarra daqui e segura dali... O Jobson bate a bola, xinga e não acontece nada. O Roman é profissional", ironizou Kalil.

A vitória do Botafogo por 2 a 0 sobre o Atlético-MG, neste sábado, em Sete Lagoas (MG), mudou o ânimo do técnico Joel Santana. Reconhecido pelas constantes reclamações contra a arbitragem, o treinador não economizou elogios até ao juiz do jogo, Evandro Rogério Roman.

“Foi uma arbitragem perfeita, com uma firmeza que há muito tempo eu não vejo. Esse árbitro está de parabéns”, elogiou Joel, surpreendendo os repórteres nos vestiários da Arena do Jacaré.
Lá como cá!

Sintético

Segundo o seu Presidente, José Eduardo Bettencourt, o Sporting irá instalar um relvado sintético para a próxima época, dadas as condições com que normalmente se apresenta o actual, de relva natural. Se por razões de (má) construção do estádio, ou outras, que desconheço, é um facto que os diversos relvados colocados em Alvalade se têm revelado uma lástima. Por falta de circulação do ar? Por má orientação face ao sol? Por outros factores? Não sei de facto e não me parece que seja devido ao factor humano dado que possuímos inúmeros técnicos de qualidade no país. Disse ainda JEB que o Sporting sempre que joga em casa é como se jogasse fora, dadas as péssimas condições que encontra e que só favorecem o adversário. É um passo arriscado mas se calhar um passo que está virado para o futuro. Mais caro na instalação, tem porém uma maior duração, uma menor manutenção, na prática, custos menores. Se não é inédito em Portugal dado já existirem dezenas de outros sintéticos espalhados pelas divisões menores, será no entanto uma estreia absoluta no futebol de elite. Um caso a acompanhar não só pelos sportinguistas, mas também pelos dirigentes de muitos outros clubes que têm exactamente os mesmos problemas nos seus estádios.

domingo, outubro 31, 2010

Massacres




No futebol, ou fora dele. Foi nas Honduras, num jogo de futebol, mas poderia ter sido de outra forma em Bagdad, ou no Afeganistão, porém acções como esta não deveriam nunca acontecer.


Carla Cristina



Algumas fotos de Carla Cristina durante a sua carreira ao serviço da Selecção Nacional Feminina.


Carla Cristina, antiga jogadora da Selecção Nacional e jogadora do 1º Dezembro, vai ser homenageada publicamente no dia 1 de Dezembro, pelas 15 horas, em Sintra. Carla Cristina, 82 vezes internacional, foi uma das mais respeitadas atletas do futebol feminino português. Merece por isso, que nesse dia, independentemente, das preferências clubísticas, o(a)s adepto(a)s do futebol feminino compareçam para agradecer-lhe a sua dedicação.

Momentos insólitos no futebol

Estádio Nacional, em Baku, Azerbaijão

A propósito da notícia de ontem sobre a falta de água e luz no estádio do Hércules, num dos treinos que antecederam o jogo com o Real Madrid, lembrei-me de alguns, entre tantos, momentos insólitos que já vivi com a Selecção Nacional. Aqui há uns anos, mais concretamente em 1996, Portugal jogou com a Ucrânia, em Kiev. No treino oficial, cortaram-nos a luz antes do seu final e no balneário a água estava gelada, obrigando-nos a ir tomar banho ao hotel. Chovia e a temperatura estava muito baixa! Em 1999, em Baku, num jogo com o Azerbaijão, a luz ao intervalo falhou e já não voltou. Nem o delegado, nem os árbitros, sabiam o que fazer nem conheciam o regulamento. Felizmente, ando sempre com o regulamento da prova e lá fizemos o jogo no dia seguinte. Noutro local, em Londres, Wembley, num jogo de preparação, só pudemos treinar em meio campo, dado que estavam a preparar a pista para corridas de cães! Um dia, em 2001, em Dublin, no treino oficial, o estádio onde no dia seguinte decorreria o jogo com a República da Irlanda, só tinha uma baliza no local e só pudemos, também, treinar em meio-campo. Em 2007, no estádio do Arsenal, o treino da selecção nacional, foi após o do Brasil. Após o treino e banho dos brasileiros, desligaram a água quente e o responsável desligou a caldeira. Quando os nossos jogadores quiseram tomar banho a água estava gelada dado que para ligar o sistema seriam necessários cerca de 30 minutos. Tomámos banho de água fria, no meio de enorme discussão e confusão. No exterior estavam cerca de zero de graus! Mais recentemente, em Joanesburgo, após o jogo Portugal/Moçambique tivemos de utilizar o balneário dos moçambicanos para o banho após o jogo, porque não havia água quente no nossos duches. Estava bastante frio, como é hábito no inverno em Joanesburgo! No princípio deste mês, na Islândia, quando os jogadores tomavam banho de água quente, de repente veio água gelada, gerando-se uma situação caricata com os atletas a tremerem de frio, envolvidos em toalhas até se resolver o problema! Como se vê por estes exemplos, e há muitos mais, uns propositados, outros fruto de desleixo e incompetência, não é só em Alicante que existem problemas destes.






sábado, outubro 30, 2010

Prazer de ler

Neste permanente movimento de jornais e revistas sobre futebol, com maioria de notícias sobre a rotina diária das equipas, os jornalistas são obrigados a escrever sobre esses factos, na maioria das vezes, sem qualquer interesse, a não ser para os adeptos dessas equipas. Existe pouca reflexão e falta uma abordagem das questões envolvendo um toque pessoal. Repete-se o que se houve, muitas vezes sem contraditório. Porventura, nem espaço, nem tempo, existe para essa intervenção. Chapa cinco como se diz no futebol. Felizmente nem sempre é assim, e acontece haver ainda muita gente a escrever com um espírito diferente abordando os assuntos de uma forma mais pessoal, menos fria, com mais coração e inteligência. Refiro-me por exemplo, entre outros, a Mónica Santos de "O Jogo", que ontem, de uma forma que lhe é peculiar, iniciou assim um artigo sobre Jorge Costa: "Se houvesse uma música para ilustrar o reencontro de Jorge Costa com o FC Porto, agora como treinador da Académica, talvez pudesse ser aquela a que Teresa Salgueiro e Sérgio Godinho dão voz, no álbum «O irmão do meio», em que perguntam e respondem, serenos: «Pode alguém ser quem não é?».
Seria mais fácil reproduzir simplesmente as palavras honestas de Jorge Costa, mas a jornalista preferiu no entanto envolvê-las de uma forma mais harmoniosa, desdramatizando-as, e tratando-as de uma forma bem atractiva.

Maradona

50

Estátua, em tamanho natural, feita em Nápoles para comemorar os cinquenta anos de Diego Maradona

sexta-feira, outubro 29, 2010

Jorge Costa


"Sou profissional da Académica, desejo vencer o FC Porto. A minha ligação contratual ao FC Porto terminou há uns anos. A ligação emocional é para toda a vida. Agora, interessa-me ganhar os três pontos", declarou, sem deixar margem para confusões: "Que não fiquem dúvidas de que quero muito ganhar este jogo e, se ganhar, vou festejá-lo. Dedico-me de alma e coração a quem me contrata e acredita em mim".

Onde outros confundem, Jorge Costa joga simples. Onde outros mentem, Jorge Costa é sincero. Onde outros disfarçam e evitam o confronto, Jorge Costa deu a cara. Por isso merece, mais uma vez, esta nota de destaque.

Cuernos

No blog da Marca de ontem: "Rooney le regala a su mujer un implante de mamas para que olvide sus cuernos".
Ao que chegámos!

Somos pequenos

Um jornal desportivo de ontem, iniciou a sua crónica sobre o Torneio de Apuramento para co Campeonato da Europa Sub/17, para o qual Portugal se qualificou, com o seguinte título: "Nada escapa ao Manchester...", e no sub-título: "Portugal apurou-se para a ronda de elite sob olhar atento de um dos maiores clubes da Europa". Num texto de mais de mil caracteres talvez cerca de 20% sejam referentes ao jogo propriamente dito, o resto são palavras sobre as qualidades e o trabalho de "scouting" do clube inglês. Até o destaque a Gonçalo Paciência, mais pela presença na bancada, do seu pai e de Vitor Baía, do que pelos seus atributos, parece deslocado, e nem uma palavra surge de realce para o trabalho colectivo da equipa. Aliás, veja-se como termina a crónica: "Atenção, pois, ao Manchester nada escapa. Nem mesmo o apuramento de Portugal para a ronda de elite". Espero ansiosamente pelo desenvolvimento do trabalho da Selecção Nacional "Sub/17" nestes meses que medeiam até ao Torneio de Elite, sobretudo para ir tomando nota das observações do Manchester, não vá o clube inglês ir falhando algo. Convém sempre estar atento para eventualmente se comunicar a Sir Alex qualquer deslize dos seus representantes...

quinta-feira, outubro 28, 2010

Desporto é sempre onde e quando o quisermos


Onde, quando e sempre que o quisermos. Nem é preciso muito, uma tabela, ou uma baliza, quase sempre uma bola, alguns amigos, e já está. É este o caso junto ao mosteiro de Qinghai, na China, onde alguns religiosos de divertem com um improvisado jogo de basquetebol. E segundo consta Deus não protestou pelo interregno nas orações em favor da prática desportiva saudável e pura.

Língua de Camões

O Dínamo de Zabreg obrigou os seus profissionais a estudarem o croata. Em qualquer dos países para os quais os nossos profissionais se transferem acontece o mesmo. Nunca vi nenhum português a falar a sua língua, por exemplo, na Liga Inglesa. Ronaldo faz um esforço para falar em castelhano, o que está correcto. Ainda há bem pouco tempo vi Paulo Machado a pronunciar-se, no site do seu clube, num francês fluente, demonstrando assim respeito pelo país que o recebe. Em Portugal o que vemos? Semana após semana, na televisão e na rádio ouvimos os profissionais estrangeiros a trabalharem em Portugal, alguns com uns anos de presença entre nós, a falarem nas suas próprias línguas. Não deveria também de haver algum esforço no sentido de os obrigar a falar português? Eu acho que sim. Ou então, em alternativa, não os entrevistar até que dominassem a nossa língua, ou pelo menos que demonstrassem fazer um esforço nesse sentido. Não há muito tempo, na rádio, ouvi Valdemar Duarte a protestar, com razão, pelo facto do ex-treinador da Naval falar em francês, a sua língua, e o repórter a fazer um esforço para o compreender e traduzir. Imagine-se a situação, ao contrário, em França. Deixavam-no a falar sozinho.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Mahatma Gandhi



"More than half a century after his death, Indian spiritual leader Mohandas MahatmaGandhi is still revered as one of the greatest-ever champions of social justice and equality. Less well known is the way in which he used football to help spread his ideas, particularly during the early years of his political struggles in South África."





É desta forma que a revista FIFA World, do mês de Outubro, inicia um extraordinário artigo da autoria de David Ruiz, de Durban, sobre o pacifista hindu Mahatma Gandhi. Ruiz através de buscas na África do Sul acabou por descobrir a história de Gandhi neste país e da sua ligação ao futebol, no início do século passado. Pioneiro da luta anti-racial e defensor, enquanto jovem advogado, dos elementos hindus que viviam na África do Sul, veio a sofrer consequências dessa sua luta, tal como aconteceria a Mandela mais tarde. Não existem provas concretas que tenha sido jogador, mas as fotos e as informações recolhidas provam a sua ligação íntima ao futebol dessa altura, tendo inclusivamente ajudado a formar diversos clubes e a Associação Sul-Africana de Futebol Hindu. Gandhi via no futebol um grande potencial para encorajar os seus elementos ao trabalho de equipa e formou o clube "Passive Resisters" sobre os princípios e valores do espírito de equipa e do fair-play.


http://pt.fifa.com/aboutfifa/magazine/index.html - abrir este link para leitura da revista em formato electrónico e do artigo publicado nas páginas 50 a 53



Os mais novos

A Selecção Nacional Sub/16, dirigida por Rui Bento venceu a Noruega por 1/0 no primeiro jogo do Torneio Vale de Marne, em França. Amanhã terá novo jogo, desta vez com a Holanda e a 30 com a França. Por sua vez hoje, pelas 16.00, em Barcelos, a Selecção Nacional Sub/17, sob a direcção de Emílio Peixe, termina a sua participação no Torneio de Apuramento para o Campeonato da Europa, defrontando a Irlanda do Norte, mas independentemente do resultado, já se encontra apurada para o Torneio de Elite da UEFA. Boas notícias para o futebol jovem português.

terça-feira, outubro 26, 2010

A voar



O "nosso" Ronaldo a voar, Ronaldinho, parecendo chorar, caído por terra, uma imagem que define o que aconteceu no jogo. Mais palavras para quê?

Zen-Ruffinen

Michel Zen-Ruffinen ex-Secretário-Geral da FIFA parece ter sido apanhado com a boca na botija, ou pior ainda, estando a intermediar autênticos membros de uma associação de malfeitores. Incrível que tendo sido Secretário-Geral, conhecendo os corruptos, não só em devido tempo não os tenha denunciado, como ainda se tenha aproveitado de situações que pelos vistos conhecia em pormenor. Será que esta instituição formada por gente desta qualidade, e com estes princípios, não deveria levar uma varredela de alto a baixo? Ou será que todos querem que isto se mantenha, de forma, a seu tempo, poder também comer o seu pedacinho?
Sobre as escolhas dos países-sedes dos mundiais e europeus, seria preferível que este tipo de decisões fossem tomadas unicamente pelos seus comités executivos, sem votações, com base num alargado consenso que privilegiasse diversos parâmetros e critérios, como por exemplo, o desenvolvimento do futebol num determinado país ou região, a descentralização, a separação temporal com outras grandes competições no mesmo local, a qualidade e quantidade dos meios ao dispor das equipas - hotéis, campos de treinos, estádios, transportes - assumindo-se finalmente essa decisão, publicamente, de uma forma transparente. Dando exemplos concretos, faz algum sentido que o Brasil organize o Mundial em 2014 e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016 e a Inglaterra, em Londres, organize os Jogos Olímpicos em 2012 e venha eventualmente a realizar o Mundial em 2018? É que assim, como está, já ninguém acredita nesta autêntica farsa onde tudo parece jogar-se por debaixo da mesa e onde o que menos conta são os interesses do desporto.

Tecnologias

Há sempre uma nova abordagem sobre cada discussão, neste caso das tecnologias no futebol. Fala-se muito no olho de falcão do ténis, mas Platini abordou a história de outra forma. Considera que em primeiro lugar a complementar o trabalho dos árbitros, estão um conjunto de pessoas a ajudá-lo.
«No ténis, um manda mas há 12 pessoas que têm uma palavra a dizer numa área muito mais pequena. Para ser árbitro, é preciso ser masoquista».
Razão para a inclusão de mais dois juízes que actuam junto das balizas. É uma opinião, não sei porém se será a mais válida.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Azarenka

www.gazzetta.it
Concerteza que na sua língua a palavra azar não deve ser escrita como em português, porque então tinha havido mesmo azar na escolha do nome. Mas Victoria Azarenka, de azar não se queixa, após a vitória sobre Maria Kirilenko, na final do Torneio de Ténis de Moscovo.

Scuts

Sinceramente gosto cada vez menos de falar de política, especialmente por aqui. Sabemos que se vivem momentos difíceis para todos, especialmente para os mais jovens, e para os idosos. Por isso estranho que este problema das scuts seja discutido desta forma tão leviana e sem que haja coragem por parte do governo em resolvê-lo, bem pelo contrário, criando ainda por cima uma trapalhada que ninguém percebe. Se quiser ir para a margem sul tenho de pagar portagem, e aí não há qualquer alternativa, a não ser de barco. Se quiser ir a Cascais pela A5 pago portagem. Se quiser ir para qualquer outro local para fora de Lisboa, pago portagem em praticamente todas as saídas. Não entendo por isso que todos tenhamos que pagar as portagens de outras zonas do país. Um dia destes vi um senhor na televisão, bem vestido, com um automóvel potente, protestando contra as portagens de uma qualquer auto-estrada no norte do país. Mas será que os habitantes dos Açores, por exemplo da Ilha das Flores, saudação para César João, têm de pagar pelo facto desse senhor querer ir de auto-estrada para o emprego? E os idosos, e os desempregados, e os habitantes do Corvo, ou de Porto Santo, ou de Bragança, ou de Beja que não têm qualquer auto-estrada na sua região? Não será mais justo, não havendo outras condições no momento, que o utilizador seja o pagador? Acho que sim, mas os partidos, todos eles, na busca do voto fácil, continuam a tornar difícil o que é fácil.

domingo, outubro 24, 2010

Del Bosque



Nunca se é campeão do mundo por acaso. Além de excelente treinador, como se comprovou, Vicente Del Bosque, tem algo mais, que ultrapassa o mero jogo. São as qualidades humanas e a capacidade para unir um grupo. E aí, nesse campo, da franqueza, do humanismo, da amizade, da motivação, nem todos conseguem ser campeões do mundo, por muito que sejam bons de táctica, técnica, treino, ciência, comunicação, etc., etc.. Falta-lhes essas qualidades, se é que me faço entender! Vicente Del Bosque, como também Luiz Felipe Scolari, que bem conheço, possuem esses dons que só estão ao alcance dos melhores. Por isso foram campeões do mundo.




Os franceses

Regressei ontem a Lisboa depois de alguns dias fora do país. Sempre, em qualquer lugar do mundo, há hoje uma televisão para nos dar a ver os jogos que gostamos, e onde os nossos estão a jogar. Foi um prazer ver o Real Madrid/AC Milan e a forma em crescendo, não só dos nossos jogadores, como do próprio clube e saber-se que isso se deve principalmente a um nosso compatriota, José Mourinho. No entanto, ao ver o Lyon/Benfica, já não houve qualquer prazer, porque além da desastrosa exibição dos lisboetas, e de uma arbitragem caseira, o que mais me chocou foi a locução dos dois comentadores da TF1, que transmitia o jogo, que se mantiveram desde o início numa atitude de parcialidade chocante. O clube português raramente foi chamado de Benfica, mas sim de "Lisbonne", como se fosse esse o nome pelo qual é conhecido no mundo do futebol. Além disso, nalguns momentos, chegaram a dizer palavras sobre os portugueses, que roçaram o "achincalhamento". No jogo, referência para o facto de Fábio Coentrão ser neste momento o melhor jogador do Benfica, e ainda para o prazer de rever Lisandro, um jogador que qualquer treinador adoraria ver na sua equipa. Lisandro, além da enorme classe que possui, consegue ainda ser o maior lutador da sua equipa. Tal e qual como o foi no FC Porto. Impressionante.