domingo, setembro 12, 2010

Manipulação

A propósito desta situação que envolveu Carlos Queiroz, assistiu-se a uma luta feroz na comunicação social entre os seus apoiantes e aqueles que o criticavam. Uma parte considerável de uns e de outros, baseavam-se em conceitos, palavras, ideias, nalguns casos verdadeiramente idiotas e increditáveis e que mais não pretendiam do que lançar a confusão. Dou um exemplo, de um tal senador, de azul vestido, tão sectário como os outros das cores concorrentes, que disse este primor acerca das qualidades de Carlos Queiroz como formador: "Agora a formação vai ficar definitivamente adiada. Aliás, desde que Queiroz saiu da Federação, em 1993, nunca mais houve formação". Estas palavras são as mais ridículas que já ouvi sobre este assunto. Não pondo em causa as qualidades de Carlos Queiroz como responsável pelos êxitos dos jovens entre 86 e 93, mal me ficaria se o fizesse, tendo aliás exaltado aqui, neste blog, por diversas vezes, esse magnífico período, gostaria de esclarecer que a partir de 1994 e até 2003, data da última vitória nos sub/17, Portugal atingiu mais de quarenta lugares de honra em todas as competições internacionais em que participou. O senhor senador nesse período deveria estar a dormir. E se a partir dessa data não se conseguiram mais êxitos no futebol jovem, devem-se essencialmente a problemas alheios à FPF, e sim ao desinvestimento no jogador português por parte dos nossos principais clubes, os verdadeiros formadores, que começaram a optar pela via mais fácil, ou seja, contratar jovens estrangeiros que nada trouxeram nem aos próprios clubes, nem ao futebol português. Além disso, a alteração competitiva nos sub/17, reduzindo os campeonatos da europa de 16 ara 8 equipas, tornou muito mais difícil as qualificações. Se formos analisar ainda os quadros competitivos do nosso futebol jovem, vê-se aí sim, a paralisia em que nos deixámos cair. A FPF, as Associações e os Clubes, são todos responsáveis pela manutenção de competições anacrónicas e não adaptadas ao desenvolvimento dos nossos jovens jogadores. Finalmente terminando com as equipas B, impossibilitando-as de competirem a um nível mais alto, matámos a hipótese dos nossos jovens ascenderem a um ritmo competitivo que lhes permitisse lutar de igual para igual com os outros jovens europeus de sub/19, como aliás se viu no último campeonato em Julho. Os nossos andam a vapor e os outros a diesel. Estes são alguns dos problemas que enfrentamos, o resto é puramente manipulação. Não há salvadores da pátria, como o próprio Carlos Queiroz me disse há bem pouco tempo e com toda a razão, e essa é aliás uma teoria que os seus críticos agitam com força, mas desconhecendo o que foi feito. Se não houver um projecto integrado de desenvolvimento entre todos os interessados, FPF, Associações, Clubes e LPFP, não sairemos desta situação. Muito mais poderia dizer sobre este assunto, mas fica para uma próxima oportunidade. Não transformemos uma situação que pode ser discutida, e aceite ou não, conforme as perspectivas, por cada um de nós, em assuntos sem qualquer razoabilidade.

Jorge Costa - 2 -

Já se percebe nitidamente o que Jorge Costa quis dizer. Basta ver a constituição das equipas deste fim de semana. Se não tivermos uma atitude bem firme, vamos voltar ao passado e ao desprezo com que as selecções nacionais eram tratadas.

Violência

Com o apedrejamento do autocarro do Benfica, voltou a violência ao nosso futebol. E o que fazem os dirigentes? Unem-se e organizam-se no seio da LPFP, e bem, mas depois na comunicação social, com meia dúzia de palavras incendiárias, destroem esse capital. Na sexta-feira foi no Porto, num qualquer dia, quando menos se espere, será em Lisboa ou noutro local qualquer. Até que um dia, como já aconteceu no passado, morra alguém. Já nos esquecemos, temos a memória curta. Eu não me esqueci dado que estava lá, e o objecto assassino, lançado por mãos assassinas, passou acima da minha cabeça e vi com os meus olhos, a desgraça daí resultante.

sábado, setembro 11, 2010

Acrobacia

Acrobacia

Jorge Costa

Jorge Costa conhece como pouco o ambiente e a estrutura de selecção, sabe do que fala. A grande maioria que anda a falar sobre o assunto desconhece esta realidade. Pensa que conhece mas não é verdade. Somam algumas pontas desconexas, uma ou outra informação, mais alguma contra-informação, está na berra não é, e a partir daí fazem opinião. Jorge Costa é claro e simples na análise.

"Não conheço o processo mas, no domingo, já poderemos tirar outras conclusões e perceber que, numa fase em que a Selecção precisa de todos, há clubes que também não estão a ajudar. Quem são? Falaremos no domingo, depois do jogo"
"Mais mais do que nomes, o importante, neste momento, é dar estabilidade à Selecção?
Também vou aguardar para tentar perceber o que Jorge Costa quis dizer com aquelas palavras sobre os clubes que não estão a ajudar...mas acho que sei do que fala!

Câmpora


Antigo jogador uruguaio faleceu na 5ª feira. Vi-o jogar algumas vezes no melhor período do FC Barreirense, particularmente quando este clube disputou as competições europeias. Foi contemporâneo de Nelinho, internacional brasileiro, na equipa do Barreiro.
Faleceu Henrique Raul Câmpora do Carmo, nascido a 6 de Junho de 1945, natural do Uruguai, e figura do F.C.Barreirense onde alinhou durante 7 épocas (69/70 a 71/72 e 75/76 a 78/79). Campora defendeu, ainda, as cores do Nacional de Montevideo, do Uruguai, o Sport Recife, do Brasil e o V.Setúbal. Após abandonar o futebol, Campora optou pela área da contrução civil com vários empreendimentos na zona do Barreiro e não só.
Em nome do colectivo do site do F.C.Barreirense deixamos aqui o nosso profundo pesar por esta perda para o clube, para o desporto nacional, para os seus familiares e amigos.
Que Descanse em Paz
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sexta-feira, setembro 10, 2010

Juristas

Que me perdoem muitos amigos juristas, mas as análises que a maioria dos elementos dessa área, que se encontram fora do futebol e que normalmente produzem opiniões sobre a vida desta modalidade, acabam quase por torná-lo num monstro de sete cabeças, de acesso verdadeiramente limitado a uma pequena minoria. As suas ideias, análises e teorias, são na maioria das vezes de uma tal densidade técnica que dá vontade de fugir. Vem isto a propósito do artigo do Dr. Ricardo Costa, da antiga Comissão Disciplinar da LPFP, sobre o caso Adop, ontem no jornal "Record". O futebol é um jogo tão simples, onze contra onze, com um juiz no meio. Não será possível simplificar estas teias jurídicas que o envolvem fora do campo de jogo? Mais do que todas as reformas necessárias ao futebol que por aí se falam, a simplificação regulamentar, é, na minha opinião, a principal.

Borrar a pintura

Sempre tive e tenho por Toni a maior das considerações, dada a forma desapaixonada como encarou as diversas realidades que enfrentou na vida, dando-lhes sempre um cheirinho de humor e boa disposição. No entanto, as declarações que ontem ou anteontem produziu, transportando, com infelicidade, Luiz Felipe Scolari, para o assunto Carlos Queiroz, são, no mínimo, deselegantes. Defender Carlos Queiroz é justo, dado que é seu amigo e os amigos devem sempre manifestar-se e tomar posição em momentos de dificuldade, e até lhe ficou bem tomar essa atitude. No entanto, alguém deveria explicar-lhe que Scolari foi Seleccionador Nacional, terminou o seu contrato, partiu para outras situações e nunca teve uma palavra depreciativa para com o seu sucessor, para com a FPF ou para com o futebol português. E deveria também não se ter esquecido, que apesar de estrangeiro, Scolari é treinador de futebol, e que as palavras deontologia e ética se deveriam aplicar a todos os treinadores, portugueses e estrangeiros. Às vezes, sem se esperar, borramos a pintura.

Virar de página

Terminou de forma brusca a presença de Carlos Queiroz na FPF. Do ponto de vista desportivo fica a presença no Mundial 2010 com a disputa dos oitavos de final. A partir daqui novo ciclo começa, com novo seleccionador, e com uma posição extremamente difícil no nosso grupo de qualificação. Para a história ficam os resultados atrás referidos, para a opinião pública, começará agora a discussão dos motivos que envolveram esta decisão. Se a minha palavra pudesse ser seguida aconselharia prudência, ponderação e poucas palavras aos envolvidos. O futebol e a selecção agradeceriam. Pelo que já ouvi ontem, e li hoje, sei que será difícil.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Popolo azzurro



Popolo azzurro, é o título desta foto. Temos de voltar a ter, em breve, nos nossos estádios, o povo vermelho ou encarnado, para não ferir susceptibilidades políticas.

Day after

Independentemente do que cada um sente sobre a Selecção Nacional e do seu posicionamento sobre as polémicas existentes, a realidade é que perdemos cinco pontos num máximo de seis em disputa. Sei que no futebol tudo é possível, e neste caso concreto, como em muitos outros, a impossibilidade é palavra que não deve ser usada. É possível, e este é o único sentimento que nos deve orientar nos próximos jogos. Sejamos sérios, estejamos unidos, acreditemos, puxemos todos para o mesmo lado, e em Outubro, a Dinamarca e a Islândia, serão adversários ao nosso alcance. Até lá tem de se pacificar definitivamente tudo o que nos envolve. Se isso acontecer poderemos vencer. Caso contrário... prepare-se o futuro!

Envolvimento

Nos últimos dias recebi mensagens muito amáveis de pessoas anónimas, sobre o momento que vivemos. Não vou obviamente envolver-me publicamente nestas polémicas que rodeiam a Selecção Nacional, nem este blog servirá para tirar desforço sobre alguém, seja ele quem for. Cometemos erros, disso não tenho dúvidas, e desses erros não me vou libertar atirando a responsabilidade sobre outros. No entanto, apesar de entender e compreender o que está a ser discutido, porque estou no meio do vulcão, e conheço a realidade como ninguém, não vou trazer para a praça pública discussões que só devem ter lugar no interior da FPF. Além disso também não me vou posicionar no sentido de poder ser utilizado como arma de arremesso contra seja quem for. Não o fiz nunca, não o vou fazer agora. Que isso fique claro, para uns e para outros. Desejo a clarificação de todo o processo, mas de uma forma limpa.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Holmenkollen




Por mais visitas que faça a este local fico sempre impressionado com a dimensão desta pista de sky, hoje em fase de reconstrução com vista aos mundiais de 2011. Simplesmente admirável, para não utilizar palavras mais fortes, como há pessoas que têm coragem para se atirarem por ali abaixo.

Organização


Vontade, querer, determinação, organização, foi o que encontrei sempre nos contactos com a Federação da Noruega. Pessoas com quem me habituei a falar, sempre num clima de máxima seriedade e correcção, desde os primórdios do Mundialito de Futebol Feminino. Foi com as Federações da Noruega, Dinamarca e Suécia que inicíamos o processo de construção dessa prova. Um grupo de quatro pessoas, no qual me incluía e que ficaram amigos para sempre. Hoje, Guttorm Dilling é meu colega na federação norueguesa e é concerteza um dos responsáveis pela dinâmica que esta federação consegue manter, como o comprova esta imagem do estádio antes do jogo de ontem. 24.500 bandeiras nacionais em apoio à sua selecção. Bonito de se ver.

Angústia

Não há maior sofrimento profissional para alguém do que sentir e prever o futuro e não ter conseguido ou sabido alterá-lo a tempo de evitar o desastre. E como os sinais eram/foram evidentes. O nosso país é completamente diferente de tudo o que é normal nos outros com uma maior cultura de responsabilidade. Depois de tantos anos de luta, trabalho, conquistas, sentir-se que o chão foge debaixo dos nossos pés, é uma sensação quase aterradora. É como em muitos pesadelos, sem explicação no momento, que surgem às crianças, só que desta vez acordados, embora vivendo numa quase solidão - salvo honrosas excepções - verdadeiramente enigmática, que acaba por tornar a realidade num desses pesadelos dos sonhos. Muito estranho. Do jogo de ontem vou dizer somente que não tivemos a argúcia, a habilidade e a capacidade para dar a volta a uma infelicidade. Não foi só Eduardo o responsável, foi a equipa, e a equipa somos todos nós que lá andamos. A cultura da auto-desculpabilização tem de terminar de uma vez por todas. Há factores atenuantes? Se os há! Davam aliás para escrever um livro. Mas não são tudo.

terça-feira, setembro 07, 2010

Confusão


Vá lá que não é no futebol!

Histórias da Bola - 8 -

Faleceu José Torres com quem pouco privei. Na altura da sua passagem pela Selecção Nacional, entre 84/86, tinha começado a minha vida na FPF pelas camadas jovens e por isso os contactos eram esporádicos e distantes, até porque as estruturas eram separadas. No entanto, já perto da partida para o México, calhou que uma das selecções juniores a que estava ligado, treinou num campos do Estádio Nacional, em simultâneo com a selecção principal, utilizando no entanto o mesmo complexo de balneários junto ao campo nº1. Dirigia-me para os balneários levando comigo uma pequena câmara de vídeo para gravar os treinos, quando no caminho encontro José Torres, que nesse período já me conhecia minimamente, e me disse: "Oh! Godinho, desculpa lá, mas os juniores têm esse material e eu nos seniores não tenho nada disso?". José Torres não me criticava obviamente a mim, nem a ninguém em especial, mas estava a chamar unicamente a atenção e a constatar o facto de nesse momento, nos juniores, estarmos já num patamar superior de organização, numa área que começava a dar os primeiros passos e que em Portugal era ainda completamente ignorada, inclusivamente por ele próprio. Depois disso pouco mais o vi, dado que se seguiu o problema de Saltillo, e só o fui encontrando, esporádicamente, em momentos exteriores ao próprio futebol. Pareceu-me sempre uma pessoa correcta, simples e humilde.

Palavras

Tenho insistido aqui neste blog, pessoalmente com quem fala comigo, ou mesmo na comunicação social, que o segredo de qualquer estratégia não é falar-se muito, mas sim exactamente o contrário. Pouco e certo. Quem muito fala, pouco acerta, ouço desde pequeno. Num mundo e numa área muito mediatizada, qualquer palavra deslocada ou mal interpretada pode originar polémica. É evidente que tudo é relativo e as notícias comem-se umas às outras, tal a frequência com que são ditas, mas os reflexos das palavras, por vezes, demoram a passar e tornam-se obstáculos difíceis de resolver. Como neste caso concreto, em que as palavras de Agostinho Oliveira foram claramente mal interpretadas e as de Bruno Alves não serviram de resposta a nada, e foram utilizadas para definir um princípio normal no futebol e na vida. Numa equipa perdem e ganham todos! O importante é vencer a Noruega, mais logo, aqui em Oslo. Se fomos ou não capazes em Guimarães, não há qualquer dúvida, não o fomos. Todos. Vamos sê-lo, hoje, no Ulleval, em conjunto.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Treino


Na véspera do jogo, como é habitual, preparando-o com atenção, os jogadores e equipa técnica tiveram uma sessão de treino, onde a entrega, o profissionalismo e a alegria foram as notas dominantes. Pode dizer-se o que se quiser sobre esta selecção, mas uma coisa é certa, ninguém, mas mesmo ninguém se esconde com vergonha do que quer que seja. Falhou um jogo, foi óbvio, não falhou nem a vida, nem o profissionalismo, muito menos o futuro. Amanhã vai ser um dia diferente.

Educação

Podemos falar muito sobre educação, dissertar sobre princípios, mas na prática querer aplicá-los só aos outros. Vem isto a propósito de palavras ditas durante o funeral de José Torres. Palavras fora do contexto, desadequadas ao momento e acima de tudo inexactas. Além disso, sem dar qualquer hipótese de defesa a quem foi atacado. Pode chamar-se a isto muita coisa, prefiro só apelidar de atitude menos digna, numa ocasião muito triste. O momento mereceria recato e respeito, nada mais.

Fiordes


Na terra dos fiordes, da luz de verão e da escuridão do inverno. Junto à pista de saltos de Holmenkollen uma das mais impressionantes do mundo. Hoje de manhã, num estádio onde Portugal costuma ser feliz, terá lugar o treino de adaptação ao campo, seguido de conferência de imprensa de Agostinho Oliveira e de Bruno Alves. Segundo se sabe, amanhã estará lotação esgotada durante o jogo. Um jogo difícil mas que pode relançar a nossa candidatura à presença na fase final do Euro 2012. Fale-se de futebol e de jogadores.

domingo, setembro 05, 2010

Noruega


Neste momento a Selecção Nacional estará provavelmente a aterrar em Oslo. Depois de um treino ainda em Braga, já de preparação para o jogo de 3ª feira, uma viagem relativamente longa, para um país calmo e tranquilo. Tranquilidade não vai haver na 3ª feira, dado que vamos encontrar uma equipa competitiva, com jogadores experientes a jogarem em bons campeonatos. Por experiência própria, já é a minha terceira visita à Noruega para jogos da selecção, vamos encontrar um público aguerrido, e um estilo de jogo directo sem grandes rodeios. Bola directa na área, seja com os pés, seja em lançamentos laterais com as mãos, de tudo vale para colocar a bola no centro da confusão. A concentração dos nossos jogadores vai ser decisiva para que se traga um resultado positivo. Muita luta no terreno, muita correria, mais luta pelo ar, e a bola a voar, vai ser a tónica do jogo norueguês. Estou convicto que a nossa equipa se irá redimir do resultado de 6ª feira, em Guimarães.

Cuidado


Simbolismo da fotografia. Até no desporto todo o cuidado é pouco!

Estrangeiros

Só agora tive oportunidade de comentar um excelente artigo de "O Jogo", da passada quinta-feira, acerca da presenças de jogadores estrangeiros na nossa Liga. A abordagem estatística dos dados referentes aos contratos dos jogadores profissionais, diz só isto: 55,2% são estrangeiros! Se não pararmos esta permanente subida de entrada de jogadores não nacionais corremos o risco de termos no futuro praticamente só jogadores portugueses nas selecções nacionais, provenientes da II Liga ou que jogam no estrangeiro. Não sou partidário de barreiras pesadas a este mercado mas sou favorável à criação de medidas que defendam o jovem praticante saído dos juniores, nomeadamente uma competição, ou equipas - relançando o mal-amado projecto das equipas B, onde possam evoluir ao entrarem no profissionalismo. Não estou a ver muitos jogadores saídos da última selecção de "Sub/19" a evoluirem na I Liga, talvez só 3 ou 4, o que diz bem das dificuldades de encontrarem espaço para desenvolverem as suas capacidades. E no próximo ano estão no Mundial "Sub/20", sem jogarem a alto nível. A exigência no entanto, na altura, que se fará aos seus treinadores, será sempre uma, ganharem! Mas como, se não jogam.

sábado, setembro 04, 2010

Caos

Foto: Francisco Paraíso


Foi a palavra que mais li numa leitura apressada dos jornais de hoje acerca do jogo com Chipre. Curiosamente, em 21 de Agosto, coloquei uma entrada com esse mesmo nome. Assuntos alheios a este mas talvez premonitórios. Pede-se de facto que haja o maior cuidado nas decisões que eventualmente se venham a tomar, mas uma coisa para mim é certa, os jogadores, não devem, não podem, ser envolvidos nas polémicas. Quem assim proceder brinca com o fogo, que aliás já consumiu parte importante da floresta. Quanto ao jogo está tudo dito na imprensa e não me compete a mim analisá-lo, embora tenha aqui avisado para os cuidados a ter com esta equipa de Chipre, relembrando o caso ainda recente da Itália.

Pressões

A alteração as datas da FIFA para jogos das selecções nacionais, veio mais uma vez subalternizar estas em função dos interesses dos clubes. Tenho a perfeita noção da dificuldade de gestão deste assunto dados os valores envolvidos e a quantidade de jogos que se movimentam numa época desportiva. Também sei dos muitos abusos que algumas selecções e jogadores fizeram ao longo dos anos com prejuízos claros das entidades patronais dos atletas. Tudo isso é verdade. Mas colocar os jogos de selecções às sextas e terças-feiras parecem-me medidas desfasadas que vão prejudicar seriamente as receitas das federações. Com diminuição do público e com audiências televisivas mais baixas, resultará daí clara retracção no apoio dos patrocinadores. Não há por enquanto dados concretos, mas presumo que isso virá a acontecer. Em vez de só se ouvirem os clubes, os grandes, talvez fosse boa ideia ouvir-se todos os interessados na questão e encontrarem-se caminhos alternativos que beneficiassem todos e não só uma parte. E não se esqueça que sem essas receitas todo o edifício das selecções nacionais será afectado. E sem selecções jovens não haverá futuro.

sexta-feira, setembro 03, 2010

José Torres


Até sempre e obrigado.

Rufete

Confesso que tenho uma grande admiração por jogadores que não sendo grandes estrelas conseguem ter um papel fundamental na união e congregação das suas equipas. Muitas vezes esses jogadores são mesmo capitães de equipa e tornam-se mesmo no símbolo dos seus clubes e das suas selecções. Em Portugal temos vários exemplos que se tornaram quase lendários. Em tempos não muito recuados na história do nosso futebol lembro-me de Coluna, do SL Benfica, João Pinto, do FC Porto, de Fernando Couto na Selecção Nacional. Recordo-me de palavras bem duras de Couto, no interior do balneário, dirigidas aqueles seus colegas que algumas vezes se refugiavam num trabalho mais discreto durante o jogo. Isto a propósito de uma notícia acerca de um jogador chamado Rufete que se recusou a substituir um jovem, de nome Kiko, de 19 anos, que teve um ataque de ansiedade durante o jogo, tendo ficado praticamente paralisado. Rufete começou a gritar fora das quatro linhas para o jovem colega, incentivando-o a ultrapassar o problema, e tendo-o conseguido. "Era mais importante fazer aquele miúdo recuperar e ganhar confiança para um longo caminho que tem a percorrer do que eu jogar 10 minutos", disse Rufete após o incidente. Pequeno gesto que define a coragem e a atitude de um atleta, e que o dignificou como homem.

Treino


Decorreu ontem de manhã o treino oficial no Estádio D. Afonso Henriques, à porta fechada, num ambiente interno de grande entrega. Daqui a pouco, às 20.45 horas, decorrerá o primeiro jogo de qualificação para o Euro 2012, e o objectivo só poder ser um, a vitória perante Chipre, que nos lance para o resto dos jogos num clima de grande confiança. Uma equipa diferente, com alguns regressos, algumas novidades, iniciando-se um novo de ciclo de competição que esperemos tenha o mesmo resultado dos anteriores, a presença na fase final.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Kickboxing

Na noite de terça para quarta assisti a algo de indescritível num dos canais da Sportv. Uma reportagem de um combate de kickboxing entre crianças, com idades bastante baixas, de certeza entre quatro e seis anos. O "combate" disputou-se no Casino Solverde, penso que em Espinho, e o que vi foi verdadeiramente lamentável. As duas crianças davam murros e pontapés e uma delas, a mais pequena, olhava permanentemente para fora das cordas tentando encontrar, concerteza, o pai. Bem triste. As imagens não dignificaram nem o desporto nem todos os que colaboraram naquele triste espectáculo.

Convocatórias

A propósito destas últimas convocatórias para as Selecções Nacionais "AA" e "Sub/21" que têm merecido alguns reparos públicos, registo aqueles que devem ser os princípios que norteiam as escolhas dos jogadores para estas jornadas duplas. A selecção "Sub/21" tem dois jogos fundamentais e decisivos, perante os quais as duas vitórias até podem não chegar para a qualificação. Dando como exemplo Rui Patrício, que foi o elemento decisivo da equipa na recente vitória na Lituânia e poderá ser um dos elementos fundamentais nos jogos com a Inglaterra e a Macedónia. Entre ser titular e peça importante nos "Sub/21" e suplente nos "AA", parece não existir outra escolha, e a decisão, no meu entender, foi óbvia e correcta. As convocatórias são susceptíveis de opinião contrária, claro que sim. As convocatórias deveriam ser objecto de críticas institucionais públicas por parte dos clubes, acho que não. É a minha opinião, e também, naturalmente, só vale por isso. Agora que seria muito importante qualificarmo-nos para os play-off dos "Sub/21", disso não tenho dúvidas. Nenhumas.

Chipre


Hoje decorrerá pelas 11.00 horas da manhã, o treino oficial no Estádio D. Afonso Henriques, com vista ao jogo de amanhã. Ao contrário do que muitos pensam não será provavelmente um jogo fácil, não só pela evolução da equipa cipriota, lembremo-nos por exemplo do último Itália/Chipre, na anterior qualificação para o Mundial, em que ao intervalo venciam os italianos por 2/0, e só sofreram o terceiro golo aos 92 minutos. Esse progresso tem sido extensivo também às equipas da ilha que têm vindo a conseguir resultados positivos nas competições europeias. Além disso é um novo conjunto que irá representar Portugal, com as consequências naturais decorrentes de mudanças e até de ausências de peso. Lembremo-nos por exemplo de Pepe, Varela, Bosingwa e Cristiano Ronaldo, jogadores que pela sua qualidade marcam sempre a diferença, mas também pela consistência colectiva que a sua presença daria à equipa e ao suporte de experiência capaz de contrabalançar a juventude dos novos jogadores.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Apoio


Ao contrário de muitos que esperavam um divórcio entre o público e a Selecção Nacional, o povo de Braga recebeu a "equipa de todos nós" como há muito não víamos e sentíamos. Uma tremenda empatia que de facto surpreendeu sobretudo pelo número de espectadores presentes no treino, entre 4.000 e 5.000 pessoas! Muitos jogos da nossa Liga desejariam concerteza ter um presença tão grande de público, que além disso manifestou-se sempre de uma forma correcta e permanente. Até aplaudiram pontapés que passavam ao lado da baliza, atitude pouco natural dos adeptos portugueses. Espera-se que esta onda se mantenha e tenha repercussão no jogo de Guimarães.

Cabeça do pinheiro

"Quero um avançado com estatura, falta-nos um pinheiro, com 1,90 metros, que a gente acerte na cabeça dele e a bola vá para a baliza"
Perante estas palavras de Paulo Sérgio, usando uma expressão inédita, em princípio não ofensiva e até curiosa dada a sua simplicidade, corre-se o risco do próximo avançado do Sporting, o "tal", passar a ser conhecido pelo "pinheiro" ou por outro mimo parecido. Se Bocage fosse vivo aprenderia muito com o futebol. De qualquer forma Paulo Sérgio tem razão, um pouco de humor e descontracção, só faz é bem ao nosso crispado futebol das palavras.

Novo ciclo


Começou ontem um novo ciclo da Selecção Nacional, desta vez tendo como objectivo o Euro 2012, que terá lugar na Polónia/Ucrânia. Um momento particularmente difícil e crítico mas que as vontades e competências de todos acabarão por resolver. Nesta semana inteira de trabalho realce para a chamada de novos atletas com provas dadas nas competições nacionais e também noutras selecções. Um misto de juventude e experiência que ajudará a resolver os dois primeiros obstáculos chamados Chipre e Noruega. Vontade não falta.