
Numa tarde de Maio de 1991, 18 jovens, cada um com uma placa na mão, com uma letra impressa, apresentaram-se no relvado do Estádio Nacional, no intervalo da Final da Taça de Portugal. Juntas as 18 letras, formou-se esta frase. Luís Figo, Rui Costa, João V.Pinto, Jorge Costa, Rui Bento, Brassard, Peixe, entre outros, eram os jogadores que formavam esse grupo. Semanas depois, em Lisboa, mas no Estádio da Luz, perante 127.000 espectadores, tornaram-se Campeões do Mundo Sub/20.
quarta-feira, junho 02, 2010
Vicente

sábado, maio 29, 2010
No meu tempo é que era mar!

O meu avô materno, antigo combatente da “Grande Guerra”, como se convencionou chamar ao conflito que aterrorizou a Europa entre 1914 e 1918, costumava dizer-me, com um brilho de saudade complementado por uma lágrima furtiva quando a vida se aproximava do fim: “No meu tempo é que era mar!”. Tinha sido útil à causa que derrotou os alemães transportando soldados portugueses para os portos franceses e eu, miúdo, levei para aí dez anos a perceber que o mar era o mesmo, os barcos é que não eram grande coisa. Foi o que lhe disse quando finalmente percebi, arrostando com o mau humor de um homem justo. Terá sido, digamos, a minha primeira atitude de “sinal contrário”, a primeira de milhões delas que me acompanham na vida como uma praga de gafanhotos. Feitios, dirão alguns, coisas da vida, digo eu.
Tudo isto a propósito de uma prosa sem pretensões que me propus escrever para o blog do Carlos Godinho, meu companheiro de algumas andanças com a Selecção Nacional de futebol e que comigo partilha, neste momento, as vistas esmagadoras da Serra da Estrela, palco de um estágio que nos levará, dentro em pouco, para a aventura do Mundial sul-africano. E o tema foi encontrado quando ele se lembrou de evocar uma fotografia inolvidável de Matateu, o Lucas para os amigos, tirada aqui na Covilhã, numa tarde em que o Belenenses defrontou o Sporting local, clube de ricas tradições que sofre, como tantos outros, os sinais destes tempos. Evocou e publicou, que não é homem de deixar as coisas a meio.
Nasci em Pedrouços, sou do Belenenses, por lá dei uns pontapés na bola numa época em que o “seccionista” era Mário Macedo, jornalista de A Bola por onde passei e que não esqueço. José Pereira, Pires, Figueiredo e Moreira; Carlos Silva e Vicente; Dimas, Di Pace, Perez, Matateu e Tito. Ai que saudades, ai, ai, como imortalizou o Carlos Pinhão uma das muitas coisas brilhantes que escreveu. Era mesmo assim, três defesas, dois médios e cinco (!) avançados, mesmo que os treinadores não fossem malucos e, neste caso, Fernando Riera tivesse o cuidado de ter o Vicente a “dar uma mão” à defesa. Tão bem que o irmão mais novo do Lucas foi “Magriço” mais de dez anos depois do episódio que vou recordar. Porque, naquele tempo, é que o mar era mar...
Riera, o chileno, inovou
E o momento chegou. Um Belenenses-Sporting a contar para a última jornada do campeonato e onde nada podia falhar. As escolas foram o supporting act dessa tarde, com o primeiro relvado de Portugal a rebentar pelas costuras e a história dos noventa minutos conta-se depressa: o Belenenses empatou a dois golos, quando necessitava de ganhar, vitima de um golo de Martins, que recargou com êxito uma remate fulminante de Mokuna, “o fura-redes” que pouco mais fez na nossa terra do que lixar a vida aos meus. Argumenta-se que o árbitro não foi dos melhores e tem-se a certeza, isso sim, de que Otto Glória, na sua primeira temporada em Portugal “não teria sido ninguém” se o Martins não tivesse feito aquilo. Mas fez, o Benfica ganhou ao Atlético (3-0) e o resto pertence à história.
Eu, desolado mas conformado, nunca mais esquecerei as palavras de Matateu - com quem mais tarde vim a jogar bilhar da delegação do clube na Avenida da Liberdade -, na mal cuidada pista de atletismo das Salésias, palco das proezas de Georgette Duarte: “Fica para o ano, fica para o ano”. Tudo em paz, com muita lágrima à mistura porque um homem não é de ferro, não passando pela cabeça de ninguém que a vida acabava ali, que o futebol era coisa de que se devia desconfiar, não se imaginando que, muitos anos depois, existissem claques duvidosas, gente que gostará pouco da modalidade desportiva do planeta, servindo-se dela e servindo-a pouco.
No meu tempo é que era mar.
António Florêncio
Um texto brilhante do António Florêncio que pretendeu dar a conhecer um pouco das suas extraordinárias memórias.
domingo, maio 16, 2010
Santos Pinto
quarta-feira, abril 28, 2010
CF "Os Belenenses"
