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quarta-feira, junho 02, 2010

Vicente


Nunca tinha estado pessoalmente com Vicente, antigo jogador do CF "Os Belenenses" e irmão do falecido Matateu. Esteve anteontem na Covilhã e tive o prazer de o cumprimentar e levá-lo, juntamente com Hilário, ao hotel da Selecção Nacional. Publico esta imagem da equipa do seu clube de sempre, por gentileza de José Vidal, onde se reconhecem também, ou melhor, reconheço, José Pereira, Matateu e Carlos Silva, antigo vice-presidente da FPF. Quem souber o nome dos restantes, faça o favor de me dizer.

sábado, maio 29, 2010

No meu tempo é que era mar!



O meu avô materno, antigo combatente da “Grande Guerra”, como se convencionou chamar ao conflito que aterrorizou a Europa entre 1914 e 1918, costumava dizer-me, com um brilho de saudade complementado por uma lágrima furtiva quando a vida se aproximava do fim: “No meu tempo é que era mar!”. Tinha sido útil à causa que derrotou os alemães transportando soldados portugueses para os portos franceses e eu, miúdo, levei para aí dez anos a perceber que o mar era o mesmo, os barcos é que não eram grande coisa. Foi o que lhe disse quando finalmente percebi, arrostando com o mau humor de um homem justo. Terá sido, digamos, a minha primeira atitude de “sinal contrário”, a primeira de milhões delas que me acompanham na vida como uma praga de gafanhotos. Feitios, dirão alguns, coisas da vida, digo eu.


Tudo isto a propósito de uma prosa sem pretensões que me propus escrever para o blog do Carlos Godinho, meu companheiro de algumas andanças com a Selecção Nacional de futebol e que comigo partilha, neste momento, as vistas esmagadoras da Serra da Estrela, palco de um estágio que nos levará, dentro em pouco, para a aventura do Mundial sul-africano. E o tema foi encontrado quando ele se lembrou de evocar uma fotografia inolvidável de Matateu, o Lucas para os amigos, tirada aqui na Covilhã, numa tarde em que o Belenenses defrontou o Sporting local, clube de ricas tradições que sofre, como tantos outros, os sinais destes tempos. Evocou e publicou, que não é homem de deixar as coisas a meio.


Nasci em Pedrouços, sou do Belenenses, por lá dei uns pontapés na bola numa época em que o “seccionista” era Mário Macedo, jornalista de A Bola por onde passei e que não esqueço. José Pereira, Pires, Figueiredo e Moreira; Carlos Silva e Vicente; Dimas, Di Pace, Perez, Matateu e Tito. Ai que saudades, ai, ai, como imortalizou o Carlos Pinhão uma das muitas coisas brilhantes que escreveu. Era mesmo assim, três defesas, dois médios e cinco (!) avançados, mesmo que os treinadores não fossem malucos e, neste caso, Fernando Riera tivesse o cuidado de ter o Vicente a “dar uma mão” à defesa. Tão bem que o irmão mais novo do Lucas foi “Magriço” mais de dez anos depois do episódio que vou recordar. Porque, naquele tempo, é que o mar era mar...


Riera, o chileno, inovou em Portugal. Abriu uma escola de jogadores no Belenenses, que evoluía no “campo de treinos” das Salésias, conquistou as pessoas e construiu uma senhora equipa, “destinada” a ser campeã nacional, tal a superioridade alardeada ao longo desse campeonato. Já imaginávamos a repetição da jornada gloriosa de Elvas, em 1946, “quando o Rafael mordeu a terra do campo e marcou o golo da vitória, o golo do campeonato, apesar do Benfica ter mandado para lá o Valadas treinar os locais durante uma semana”. Cá por mim, com quatro anos de idade, limitei-me a acompanhar a minha Mãe, que foi ao Cais do Sodré esperar o meu Pai, um dos heróis que acompanharam o “Rasga”.


E o momento chegou. Um Belenenses-Sporting a contar para a última jornada do campeonato e onde nada podia falhar. As escolas foram o supporting act dessa tarde, com o primeiro relvado de Portugal a rebentar pelas costuras e a história dos noventa minutos conta-se depressa: o Belenenses empatou a dois golos, quando necessitava de ganhar, vitima de um golo de Martins, que recargou com êxito uma remate fulminante de Mokuna, “o fura-redes” que pouco mais fez na nossa terra do que lixar a vida aos meus. Argumenta-se que o árbitro não foi dos melhores e tem-se a certeza, isso sim, de que Otto Glória, na sua primeira temporada em Portugal “não teria sido ninguém” se o Martins não tivesse feito aquilo. Mas fez, o Benfica ganhou ao Atlético (3-0) e o resto pertence à história.


Eu, desolado mas conformado, nunca mais esquecerei as palavras de Matateu - com quem mais tarde vim a jogar bilhar da delegação do clube na Avenida da Liberdade -, na mal cuidada pista de atletismo das Salésias, palco das proezas de Georgette Duarte: “Fica para o ano, fica para o ano”. Tudo em paz, com muita lágrima à mistura porque um homem não é de ferro, não passando pela cabeça de ninguém que a vida acabava ali, que o futebol era coisa de que se devia desconfiar, não se imaginando que, muitos anos depois, existissem claques duvidosas, gente que gostará pouco da modalidade desportiva do planeta, servindo-se dela e servindo-a pouco.


No meu tempo é que era mar.


António Florêncio


Um texto brilhante do António Florêncio que pretendeu dar a conhecer um pouco das suas extraordinárias memórias.

domingo, maio 16, 2010

Santos Pinto


O "velhinho" Santos Pinto, renovado e pintadinho de fresco, vai servir de local para a maioria dos treinos a efectuar no pré-estágio da Covilhã. Nas minhas mais longínquas memórias do futebol, as fotos deste estádio têm um lugar reservado. É que nesse tempo o SC Covilhã andava lá por cima, pelas divisões maiores, e dava ao futebol português alguns jogadores que fizeram história. Hoje, falava-me António Florêncio, cujas memórias ainda estão mais distantes que as minhas, que há uma foto histórica do seu clube, "Os Belenenses", aqui neste estádio, onde Matateu era retratado de uma forma espectacular. Ao fazer uma busca na internet encontrei a foto que de facto é fantástica. Longe vão os tempos.


quarta-feira, abril 28, 2010

CF "Os Belenenses"


Para quem gosta de futebol e da sua história em Portugal, este clube é uma referência inultrapassável. Custa por isso ver, mais uma vez, os enormes problemas que lhe estão associados. Não tem conseguido nos últimos anos sair de uma obscura e difícil luta para enfrentar os obstáculos que lhe vão surgindo. Algumas modalidades conseguem manter um nível superior, como é o caso do futsal, mas a principal, o futebol, não tem conseguido resolver as dificuldades que surgem nas competições em que vem participando, e na próxima época vai disputar o escalão inferior. Esteve para acontecer nas últimas épocas e por uma razão ou outra foi conseguindo ficar. Esta preocupante descida vai obrigar os dirigentes do clube a encontrarem meios rápidos para que possa regressar em breve. Uma ausência prolongada, perante a crise que assola o futebol português, pode ter sérias consequências. A Liga sem o "CF Os Belenenses" não é a mesma. O clube que foi de Matateu e de tantos outros grandes jogadores tem de reagir.